Mark Amerika
Não há botão-retrocesso para a vida
24/3/2022

7/5/2022
18:00
Exposição

Não há botão-retrocesso para a vida – O interminável trabalho em progresso de Mark Amerika

Curadoria de Ana Carvalho 

artista: Mark Amerika

Abertura: 24.03 (QUI), a partir das 18h 

Patente até: 07.05

Programação paralela: E-X-S-I, 11h às 16h


[Entrada Livre]


Sinopse

As formas de texto experimental de Mark Amerika evoluem como parte do que ele chama de “um conceito expandido de escrita”, ampliando a presença da palavra do livro para o vídeo e para a performance ao vivo, resultante de um diálogo íntimo com autores, artistas e escritores, entre eles Alfred North Whitehead, Chris Marker, Ingmar Bergman, Kathy Acker, Hélène Cixous, Clarice Lispector, Marcel Duchamp, Jacques Derrida e William Burroughs. Ao longo do percurso de Amerika, e especialmente na seleção de obras de arte em vídeo apresentada em Não há botão-retrocesso para a vida, a ação de remixagem torna-se numa forma de conversar. Semelhante às estratégias situacionistas de criação a partir da vida quotidiana, Amerika usa recontextualizações do imediato de qualquer matéria-prima disponível a qualquer momento para criar um glitch na alma da máquina. Surge uma série de mash-ups inesperados que esteticamente renderizou uma presença ontologicamente perturbadora no campo da distribuição.

 

A exposição na sala de exposições da Saco Azul / Maus Hábitos apresenta o trabalho de Mark Amerika em diversos formatos de vídeo, no cruzamento de vários géneros e práticas artísticas: vídeo-pedagogia, vídeo-ensaio, vídeo-musical, vídeo-NFT, vídeo-glitch e vídeo-poesia. A performance para a câmara, a gravação a partir do Google Maps e as imagens provenientes das profundezas do arquivo da Internet e combinadas com animações em 3D, presentes no trabalho de Mark Amerika, demonstram uma continuidade e inseparabilidade entre o estilo de pós-produção de Amerika, a vida do artista e o infinito número de obras de arte produzido.

 

Texto Curatorial

Ao longo da última década, temos vindo a assistir ao surgimento da fotografia e da videografia móveis. O filme Immobilité (2007-2009), do artista intermédia Mark Amerika, foi talvez a primeira obra de arte a usar o telemóvel como ferramenta para captura de imagens na construção de uma longa-metragem. Em Immobilité (o título é um trocadilho com a natureza dos telemóveis), Amerika combina texto e videografia móvel com uma peça sonora de eletrónica experimental para contar uma intricada história ficcional-teórico-factual sobre um trio de reclusos nómadas que passa o seu tempo a capturar imagens de si próprios e de uma paisagem do mundo onde tentam sobreviver.

 

A produção de arte digital a partir do oceano cultural de informação é essencial ao trabalho de Mark Amerika. Se o remix, enquanto "cola cultural" (Eduardo Navas), serve como forma de associar o comportamento da informação para juntar matéria digital, então é o simulacro baudrillardiano que define o território das ações artísticas de Mark Amerika. Objetos culturais, nativos digitais ou digitalizados, tornam-se a principal matéria-prima à disposição de cada artista no seu processo de construir o que Amerika chama de objetos imaginários de média digital, uma estratégia de pós-produção que cresce a partir do que Nicolas Bourriaud chama de "guião cultural" que os artistas manipulam para "reprogramar o mundo". Agora que infinitos fluxos de dados estão disponíveis, os jardins dos nossos vizinhos são vistos através de cercas em vez de paredes. "Cobiça o código-fonte do teu vizinho", Amerika escreve no seu remix dos Dez Mandamentos. O que é exatamente o que ele faz. Amerika opera como persona-performance onde tudo é parte de um jogo justo desde que alimente o processo criativo. Uma vez selecionada intuitivamente a matéria-prima escolhida, somos livres para manipular o infinito trabalho em progresso, da mesma forma que a nossa própria consciência se tornou agora uma forma mutável e reproduzível. A singular noção de criação original já não é necessária (alguma vez foi?). Tudo está em processo de potencialmente se tornar parte de infinitas novas combinações. Sob essa perspectiva, é central o papel do artista-como-editor, bem como a “prática como estilo de vida” cut/paste (como diz Amerika), ou seja, a seleção natural de ações e ferramentas digitais tornam-se extensões do corpo do artista performer. Não terá sido a criação sempre recriação?

 

Usar o telemóvel como ferramenta para a produção de longas-metragens exige que o artista esteja imerso na prática da vida digital quotidiana e que interprete a personagem principal na sua própria história,o que dá lugar a uma infinitude de personae digitais que intervêm ativamente em diferentes contextos. Como no trabalho de outros artistas contemporâneos, nomeadamente Eleanor Antin, Lynn Hershman Leeson e Amelia Ulman, as personae de Mark Amerika vão desde o blogger-artista conhecido como Professor VJ ao artista-professor Walt Whitman Benjamin, ao escritor-remixer conhecido como The Playgiarist, ao mítico Artist 2.0, entre uma lista imensa de tantos outros, e estendendo-se, ainda, a trabalhos colaborativos e personae coletivas.

 

As formas de texto experimental de Mark Amerika evoluem como parte do que ele chama de “um conceito expandido de escrita”, ampliando a presença da palavra do livro para o vídeo e para a performance ao vivo, resultante de um diálogo íntimo com autores, artistas e escritores, entre eles Alfred North Whitehead, Chris Marker, Ingmar Bergman, Kathy Acker, Hélène Cixous, Clarice Lispector, Marcel Duchamp, Jacques Derrida e William Burroughs. Ao longo do percurso de Amerika, e especialmente na seleção de obras de arte em vídeo apresentada em Não há botão-retrocesso para a vida, a ação de remixagem torna-se numa forma de conversar. Semelhante às estratégias situacionistas de criação a partir da vida quotidiana, Amerika usa recontextualizações do imediato de qualquer matéria-prima disponível a qualquer momento para criar um glitch na alma da máquina. Surge uma série de mash-ups inesperados que esteticamente renderizou uma presença ontologicamente perturbadora no campo da distribuição.

 

A exposição na sala de exposições da Saco Azul / Maus Hábitos apresenta o trabalho de Mark Amerika em diversos formatos de vídeo, no cruzamento de vários géneros e práticas artísticas: vídeo-pedagogia, vídeo-ensaio, vídeo-musical, vídeo-NFT, vídeo-glitch e vídeo-poesia. A performance para a câmara, a gravação a partir do Google Maps e as imagens provenientes das profundezas do arquivo da Internet e combinadas com animações em 3D, presentes no trabalho de Mark Amerika, demonstram uma continuidade e inseparabilidade entre o estilo de pós-produção de Amerika, a vida do artista e o infinito número de obras de arte produzido.

Ana Carvalho 

 

BIOS: 


Artista

Mark Amerika é professor na Universidade do Colorado em Boulder, diretor fundador do Programa Doutoral em Arte Intermédia, Escrita e Performance na Faculdade de Média, Comunicação e Informação e professor de Arte e História da Arte. Amerika, que em 2001 foi selecionado pela Time Magazine como um dos 100 inovadores, exibiu a sua obra internacionalmente em locais como a Whitney Biennial of American Art, o Museu de Arte de Denver, o Instituto de Arte Contemporânea em Londres, e o Walker Art Center. Em 2009-2010, o Museu Nacional de Arte Contemporânea de Atenas, Grécia, recebeu a exposição da extensa retrospectiva de Mark Amerika, intitulada UNREALTIME. Em 2009, Amerika lançou Immobilité, de forma geral considerada a primeira longa-metragem artística gravada com telemóvel. É autor de muitos livros, incluindo remixthebook (University of Minnesota Press), META / DATA: A Digital Poetics (The MIT Press), remixthecontext (Routledge) e Locus Solus: An Inappropriate Translation Composed in a 21st Century Manner (Counterpath Press). A sua obra transmédia expandida Museum of Glitch Aesthetics foi comissariada pelo Festival Abandon Normal Devices em conjunto com as Olimpíadas de Londres 2012. O projeto tem sido remisturado por curadores para exposições físicas, incluindo a exposição ‘Museum of Glitch Aesthetics’ para o Festival AND, 'Glitch. Clique. Thunk, patente na University of Hawaii Art Galleries, e ‘GlitchMix: not an error’, em Havana, Cuba.


Curadoria

Ana Carvalho é professora, investigadora e artista audiovisual, desenvolvendo-se a sua atividade em torno das artes e culturas digitais. Desde 2017 é Professora Auxiliar e Coordenadora da Licenciatura Arte Multimédia da Universidade da Maia, lecionando nas áreas da cultura digital, das teorias da imagem e comunicação gráfica. Como investigadora, é membro do CIAC (Centro de Investigação em Arte e Comunicação, da Universidade do Algarve) e do CITEI (Centro de Investigação em Tecnologias e Estudos Intermédia, Universidade da Maia). Desde 2014, é responsável pelo projeto Ephemeral Expanded. Atualmente integra a equipa de investigação do projeto CyPET, financiado pelo FCT, no contexto do qual se estudam as intersecções entre a ciberperfomance e os novos modelos de ensino online. No âmbito da investigação inclui-se ainda o seu trabalho de curadoria, tendo sido uma das curadoras da exposição Omnisciência Estratégias de Fractura e Fuga (Fórum da Maia, 2021); a organização do evento E-X-S-I Encontro de Expressões entre Som e Imagem (desde 2016) e a co-edição do livro The Audiovisual Breakthrough (2016). Nos seus projetos artísticos explora as possibilidades narrativas entre a ficção e a realidade destacando-se no seu percurso as performances audiovisuais apresentadas em Serralves (Porto), no Experimental Intermedia (Nova Iorque) e no Paço das Artes (São Paulo).


Ficha Técnica

Artista: Mark Amerika

Programação, Produção e Gestão: Mariana Vitale

Gestão de Conteúdos Digitais e Comunicação: Filipe Confraria, Mariana Vitale

Assessoria de Imprensa: Filipe Confraria

Design: Studio Dobra

Montagem: Alexandre Simões

Estágio em produção e comunicação: Jessica Roque

Fotografia: João Pádua

Limpeza: Manuela Pinto

Organização e Direção Artística: Saco Azul & Maus Hábitos


Press

Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022
Mark Amerika 2022

Saco Azul, Maus Hábitos,

Rua Passos Manuel 178

4º andar

4000-382 Porto


Produção & Programação Artística

sacoazul@maushabitos.com

danielpires@maushabitos.com

Assessoria de Imprensa

imprensa@maushabitos.com


22.03.24 - Não há botão-retrocesso para a vida – O interminável trabalho em progresso de Mark Amerika

powered by

22.03.24 - Não há botão-retrocesso para a vida – O interminável trabalho em progresso de Mark Amerika
22.03.24 - Não há botão-retrocesso para a vida – O interminável trabalho em progresso de Mark Amerika
sacoazul.org desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile