João Fiadeiro & Patrícia Almeida
Corpo-coisa
22/11/2018

31/12/2018
21:30
Exposição
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Corpo-coisa é o resultado de uma de muitas colaborações entre o coreógrafo João Fiadeiro e a fotógrafa Patrícia Almeida, onde as obras do primeiro ganham, às mãos da segunda, uma vida que se expande para lá da cena. As imagens aqui expostas foram tiradas no âmbito do espetáculo “O que fazer daqui para trás” (Fiadeiro, 2015) que tem um dispositivo extremamente simples: 5 performers correm à volta de um teatro de forma a produzir um corpo esgotado. Uma vez atingido esse esgotamento os performers entram em cena para se (re)apresentarem à frente de um microfone, falando sobre a experiência “lá de fora”. Lá dentro, as instruções dos performers são igualmente simples: voltar a correr mal o corpo se acomode e comece a recuperar as suas propriedades de “corpo-sujeito”. Esse padrão repete-se sucessivamente até não ser possível continuar. Momento em que a peça acaba.
Num dos espetáculos, improvisamos um estúdio de fotografia “fora de campo” e pedimos aos performers que fizessem uma pequena paragem antes de continuarem a sua tarefa. Os 3 instantes selecionados, separadas por intervalos de cerca de 20 minutos, retratam a performer Márcia Lança em três fases distintas da experiência da corrida e no momento exato antes de entrar em cena. A restrição imposta pelo dispositivo fotográfico/coreográfico que os obriga a parar em frente da câmara (que replica a acção que farão segundos depois à frente do espectador), produz um tipo de corpo que Fiadeiro procura nos seus trabalhos: um corpo-acontecimento (uma “coisa”), que se encontra entre “cá e lá”, na fronteira do disforme e do descontrolo, e por isso mais disponíveis, abertos e cheios de potencial.
“O que fazer daqui para trás” estreou no Teatro Maria Matos em Lisboa a 11 de Novembro de 2015. No Porto foi apresentado a 4 de Maio de 2016 no Teatro Rivoli no quadro do Festival DDD.


João Fiadeiro pertence à geração de coreógrafos que emergiu no final da década de oitenta e que deu origem à Nova Dança Portuguesa. Grande parte da sua formação é feita entre Lisboa, Nova Iorque e Berlim, tendo sido bailarino na Companhia de Dança de Lisboa (86-88) e no Ballet Gulbenkian (89-90). Em 1990 fundou a Companhia RE.AL, responsável pela criação e difusão dos seus espectáculos, apresentados com regularidade um pouco por toda Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e América do Sul. Acompanha com frequência, na qualidade de tutor, artistas emergentes e acolhe, no âmbito da programação do Atelier Real, artistas e eventos transdisciplinares. O método de Composição em Tempo Real, desenhado inicialmente para apoiar a escrita coreográfica e dramatúrgica dos seus trabalhos, afirma-se atualmente enquanto ferramenta e plataforma teórico-prática para pensar a decisão, a representação e a colaboração. Essa investigação acontece no quadro da arte e em colaboração com as mais diversas disciplinas – a economia, a antropologia ou as ciências dos sistemas complexos – e tem-no levado a orientar workshops em programas de mestrado e doutoramento em universidades portuguesas e estrangeiras. Frequenta atualmente o doutoramento em Arte Contemporânea do Colégio das Artes de Coimbra.


Patrícia Almeida (1970-2017). Estudou História na Universidade Nova de Lisboa e Fotografia no Goldsmiths College (Londres). Interessando-se pela fotografia documental enquanto território de pesquisa e de criação artística, começou por realizar trabalhos que questionam a relação do indivíduo com o espaço urbano. Em 2008, produz a série Portobello, um projecto que reúne fotografias, projecções de vídeo e de slides, e explora o imaginário associado aos “lugares-marca” promovidos enquanto destinos turísticos de verão. Este projecto é publicado em 2009 e exposto na galeria ZDB em Lisboa e no Art Algarve a convite da Fundação de Serralves, em Loulé. Em 2010, no âmbito do prémio BESphoto apresenta a exposição All Beauty Must Die, que combina fotografias, vídeos, serigrafias e livros auto-publicados, onde são exploradas as relações entre a juventude, a música pop, o romantismo e a paisagem. Em 2011, fundou a editora GHOST (www.ghost.pt) com David-Alexandre Guéniot e dedicou-se a edição de livros de artistas. Alguns desses livros foram o ponto de partida para exposições individuais, vídeos ou instalações como “15 de Outubro 2011” (Bienal de Vila Franca de Xira, 2016), "Ma vie va changer"; (Festival Loops, 2016) ou “Fotografo-te fotografá-lo fotografar-me”, a sua última exposição, apresentada no Porto, em Março de 2017. O seu trabalho é regularmente apresentado em Portugal e na Europa e integra várias colecções, entre elas a PLMJ, Fundação de Serralves, Colecção Novo Banco, Centro de Artes Visuais de Coimbra e Centro Português de Fotografia.

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