Sama
Kill The President
8/5/2019

12/5/2019
17:00
Exposição
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Sama mostra ácidas observações poéticas da angústia contemporânea, através de temas oriundos da cultura popular, da literatura e do cinema. Na exposição testemunhamos a reconstrução da memória do nosso tempo e espaço periférico, com referências a obras de suspense ou de ficção científica que outrora influenciaram o artista. Trata-se de um comentário social com uma abordagem mais niilista, anti-hegemónico e com uma certa dose de humor negro, que resulta num neo-expressionismo-pop-tropical idiossincrático.

"No final de 2016, Andrei Karlov, um embaixador russo, foi morto a tiros em uma galeria de arte em Ancara por um pistoleiro que afirmava se vingar em nome da Síria. Os disparos ocorreram em frente a uma audiência enquanto o diplomata inaugurava uma exposição fotográfica em um bairro central da capital turca. Não se tratava de uma performance artística como é o caso da ação Shoot (1971) de Chris Burden, que consistia em literalmente receber um tiro disparado por um rifle a 5 metros de distância do seu corpo, ou ainda, como as action paintings de Niki de Saint Phalle realizadas nas décadas de 60 e 70. Tais referenciais despontam em Kill The President, exposição individual do artista brasileiro Sama, onde ele propõe configurações desenvolvidas, em sua maior parte, nos últimos três anos da sua trajetória, embora haja um único trabalho de 2001 no meio de todo o conjunto. Seus trabalhos são como disparos discursivos similares aos da charge política, que por meio do humor, são desenvolvidos rapidamente para discutirem algum assunto em pauta na atualidade e, no caso, para denunciar e debater os abusos de poder de autoridades da nossa atualidade, realizando uma narrativa sobre contextos distintos de uma forma mais globalizada, mas sempre mantendo como uma linha de abordagem a mescla de ficções distópicas com a sua própria brasilidade. Fatalmente, a atual realidade política brasileira – que combina fascismo e neoliberalismo – é veementemente delatada, desde o seu estágio original, incluindo o golpe ocorrido em 2016, até as mais claras evidências de violências do estado contra as populações não contempladas em realidades hegemónicas nos dias atuais. Como peça central, na abertura do evento, Sama utiliza uma arma de paintball para, por meio de uma brincadeira, disparar tiros de tinta contra a representação de um presidente e, então, o vestígio da ação que dá título à exposição permanece no espaço."

Tales Frey
Curador


Sama é artista visual brasileiro com prémios em salões de Arte Contemporânea e de Desenho de Humor. Os desdobramentos do seu trabalho estendem-se ao teatro, a escrita, ao ativismo político, ao cinema e a BD.

Organizado por: FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica

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