The landscape between us
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The landscape between us
Ao nos depararmos com uma fotografia, estaríamos sempre a buscar a nossa imagem, o nosso reflexo ou o que nos é familiar? Seria possível, antes de tudo, olhar para a paisagem em si? O que é esta paisagem que se constrói em luz, frequências, pixels ou palavras, numa troca cada vez mais veloz e consecutiva entre o desejo de ser narrado e entendido? Nunca produzimos tantas imagens como hoje em dia. Também tornou-se imprescindível compreendermos o lado intangível, invisível e digital do nosso tempo para imaginarmos futuros possíveis.
Esta inquietação tornou-se premissa para esta exposição que acabou por ramificar-se em outros pensamentos paralelos.
Por exemplo, em que medida compreendemos o que se passa no nosso mundo quando nos deparamos com relatos de catástrofes climáticas ou de violências territoriais impulsionadas pela indústria extrativa e pelo desenvolvimento de projetos de infraestruturas? A paisagem descrita por alguém é imagem, memória ou vivência?
Há uma paisagem entre nós, portanto, e que precisa ser entendida.
Em tempos de produção de dados via satélites e de imagens por inteligência artificial, vemos agora esta paisagem do alto. E ver do alto tornou-se perspectiva e também um problema: a paisagem é codificada e analisada analiticamente como se estivesse sobre uma mesa, sem mediação (ou mediada de forma negligenciada).
Para esta exposição, apresentamos uma mesa de ping-pong como dispositivo que organiza imagens e pensamento crítico em direção ao diálogo e à convivência.
Conviver define muito o que é este espaço emblemático para a cidade. O ambiente de décadas de festas e convívio ocupa uma arquitetura inicialmente desenhada para um público específico, que representava a ideia de modernidade e progresso. Carros, garagens, salas de jogos e barbeiros foram elementos que possivelmente definiram este público nas décadas passadas. Hoje, outro público mais plural e diverso ocupa este espaço e dita as narrativas dessa paisagem em jogo.
Dito isto, esta exposição apresenta uma reflexão sobre a compreensão e a percepção da paisagem. Primeiramente, procuramos entender a paisagem sob os aspectos político e subjetivo do deslocamento, seja pelo caminhar, seja pelo olhar nas imagens. Ao mesmo tempo, trazemos uma reflexão sobre como estamos ocupando os espaços, ouvindo as vozes plurais que nos descrevem novas paisagens e, por isso, sobre como estamos a pensar coletivamente um futuro.
The landscape between us convida a jogar e dialogar, com memórias correspondentes.
Bio
Orlando Vieira Francisco é artista plástico e investigador no i2ADS (FBAUP, Portugal). Trabalha no espaço público através de workshops, lectures, performances e outras práticas autogeridas, para além de utilizar a fotografia, desenho, instalação e outras linguagens. As suas obras exploram temas como a produção do espaço social entre a arte e a política, a paisagem como objeto de constante transformação e práticas de ativismo ambiental e social.

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